“Atirei o pau ao gato…”
10Feb08
No decorrer da preparação do nosso trabalho deparei-me com uma questão que tem gerado alguma polémica. A existência de alguma violência nas histórias, contos e algumas lengalengas do nosso património cultural que têm vindo a ser contadas de geração em geração, tem provocado em alguns “interessados” algumas dúvidas e conduzido a algumas adaptações curiosas como é o exemplo desta alteração feita a uma canção infantil conhecida de todos nós: “Atirei o pau ao gato, to mas o gato, to, não morreu, eu, eu” alterada para “Atirei o peixe ao gato, to mas o gato, to, não comeu, eu, eu”…
Qual é a vossa opinião? Mantemos o tradicional ou vamos “inovando”?
cruzsoares
Filed under: lengalenga | 5 Comments
Tags: canções infantis, infantil, lengalengas
Se mantiverem o original já têm um motivo válido para abordar a questão da violência
Boas decisões,
LP
Professor, acerca desse assunto existem realmente muitas opiniões. Uma das quais se relaciona com a violência nos filmes. Ainda há pouco tempo, num canal televisivo se discutia: “Será que os filmes violentos propiciam a violência?”. Segundo alguns indivíduos entrevistados os filmes violentos levam a que sejamos mais violentos, já o contrário dizem os investigadores americanos que se debruçaram sobre esta questão. Os filmes desta natureza tendem a alertar as pessoas para a violência do dia-a-dia.
Já relativamente à violência existente em histórias, contos e lengalengas tradicionais, eu sou “a favor”…
… desde a minha infância que fui habituada a ouvir essas história e nem por isso fui atacar os pobres dos gatos, dos quais não gosto muito, nem eu, nem os meus colegas. Eu penso que tentamos cada vez mais colocar os meninos numa redoma de oiro e fazer com que o mundo lhes pareça perfeito!
Ou são os anúncios publicitários, ou são os desenhos animados, ou as notícias… na minha opinião, tudo isto pode ser minimizado pelo diálogo em casa, com os pais e/ou familiares.
Eu não sou pedopsiquiatra, mas podemos sempre consultar um para sabermos a sua opinião
Sendo assim, temos um grande ponto de partida para abordar a questão da violência.
Saudações académicas,
Vânia
Concordo com a Vânia.
Também ouvi o estudo que comentaste, sobre a violência no cinema e penso que tem lógica. Dizia até que despertavam as consciências.
Cumps.
Mónica
A questão levantada é pertinente. Todavia considero que a Vânia tem razão…
É inevitável a eterna guerra entre o bem e o mal……
Aquilo que me inquieta é o rumo que esta luta tem tomado. Na minha infância o monstro morrer, o príncipe matar a bruxa ou o gigante morrer envenenado..era absolutamente normal, pois a forma imaginária inocente que adquiriam estes episódios tinha sempre no final uma lição de moral, um valor a ensinar… Será que isso acontece hoje? Que valores ensinam os jogos em que só aparecem figuras humanas embebidas em sangue, os desenhos animados que se baseiam em histórias de conquista do mundo por seres estranhos… Isto sim para mim é violência… mas como diz a Vânia
Eu não sou pedopsiquiatra, mas podemos sempre consultar um para sabermos a sua opinião
…mas sou professora e tenho crianças na sala de aula que vivem intensamente estas realidades criadas apenas com um único fim…………..económico
Cristina
Temática interessante a levantada pelo José! Eu não consigo ter uma opinião bem definida pois vejo as duas faces da moeda. Importa ter em atenção que as crianças desta nova geração desde cedo deixaram de se identificar com o esteriótipo de crianças que nós conhecemos outrora, e nos quais um dia nos incluímos.
Esta modificação tão drástica, na minha opinião, deve-se a um conjunto vasto de factores entre os quais ponho a tónica no escasso tempo de qualidade passado em família e no excesso de televisão. É inquestionavelmente que os meninos são influenciados por aquilo que de mau e menos próprio vêm naquela caixinha negra, tenhamos como exemplo o RAW, pelo que se pudermos evitar mais alusão à violência seria óptimo. E não é querer colocá-los numa redoma de oiro até porque eu penso que eles estão demasiado expostos às imperfeições que existem à volta deles
Por outro lado não penso que faça muito sentido estar a modificar os ditados e as histórias populares pois estes podem dar o mote para abordar questões que provavelmente não seriam dialogadas. Então não devemos perder a oportunidade de debater estes aspectos com os mais pequenos.
Será que me fiz entender?
Cumps.
Sofia Silva
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